terça-feira, 12 de julho de 2011

P. Sherman, 1007, Wallaby Way

     Meu último dia em Sydney foi bem menos dramático do que eu imaginei que seria. Acordei e fiquei um tempo enrolando no sofá, terminei de assistir o filme de ontem, agendei o taxi para amanhã de manhã e depois levantei para comer. A Bruma saiu pra trabalhar e eu fiz café da manhã para mim e para o Paulão – que estava na cama com o pé pra cima sem poder andar. Comi torradas com geleia e recebi uma mensagem da Natalie falando que estava comprando os ingressos para a estreia do Harry Potter. Entrei no msn para resolver tudo com ela e fiquei reorganizando minhas malas – que eu tinha deixado na casa do Paulão quando fui viajar, lembra? - enquanto discutíamos a sessão, o shopping, os jeitos de pagar meia agora que eu não tenho mais carteirinha e tudo mais.
     Consegui, milagrosamente, enfiar tudo nas malas e deixá-las com menos de 32kg. Aliás, quando fui pesá-las, me pesei também e MEU. DEUS. O estrago foi muito maior do que eu imaginava. Eu engordei MUITO. E juro que não é exagero de menina. Preparem-se para me ver rolando. Assim que eu chegar, vou tomar SÉRIAS PROVIDÊNCIAS A RESPEITO. Só não começo hoje porque tenho um jantar marcado numa churrascaria rodízio.
     Terminado o empacotamento, eu me dirigi ao meu amado e idolatrado Opera House para passar minhas últimas horas ociosas diante dele. Li todas as frases a respeito dele, que estão numa parede de exposição ali na frente (e descobri que não sou a única obcecada pelo lugar), conversei com um israelense super simpático, contei que era meu último dia em Sydney, ele ficou de coração partido e fez questão de tirar minha última foto com o OH e foi embora dizendo “It was an honour to be one of the last people you met in Sydney”. Fui até o Botanic Garden tirar foto do Opera House com a ponte atrás, sentei nas pedras que tem na frente, andei ao redor dele todo, passando a mão nos azulejos (e beijei um deles, depois de sussurar “Bye, thanks for everything”) e fiquei sentada na frente do Opera Bar adimirando o Opera House, quando já estava escuro e as luzes estavam acesas. Para a minha surpresa, eu não chorei. Fiquei emocionada enquanto estava lendo as frases, porque algumas delas definiam muito bem o que eu sinto, mas foi só.
     Quando deu umas 18h, a Bruma me ligou e a gente foi se encontrar no Hyde Park para o meu “jantar de despedida” - que, na verdade, virou só um jantar entre amigas porque todo mundo miou – no Churrasco. Foi bem gostoso. Comi bem, mas não porcamente a ponto de querer vomitar que nem da outra vez. Eu e a Bruma ficamos conversando sobre o casamento dela, os possíveis filhos e ela me mostrou as fotos do vestido... Que linda! E foi legal rever todo mundo, dar tchau pro pessoal. São todos muito queridos! A Luana, que linda, cobrou preço de funcionário de mim e deixou a gente levar uma marmitinha pro Paulão! A Paty ficou me fazendo mil perguntas sobre a viagem. Todo mundo me desejou bom retorno... Muito gracinhas! Ai, ai... vou sentir falta desse pessoal, viu?
     Eu e a Bruma viemos para casa, eu tomei banho, fiquei no pc um pouco e agora... Agora vou dormir. É, minha gente. Acabou. Amanhã é acordar e ir para o aeroporto.
     Beijos de uma menina que passOU seis meses na Austrália
     N

P. Sherman, 0907, Wallaby Way

     Acordei com uma mensagem do Paulão dizendo que tinha passado a noite toda no hospital porque torceu o pé e não ia poder mais me buscar no aeroporto. GREAT (Y). Não fiquei nem um pouco brava com ele, ÓBVIO. Mas foi tipo PORRA, MAIS UMA DESPESA COM TRANSPORTE. Desci para tomar café da manhã, fechei minhas malas e fui com as canadenses para uma feirinha que tinha perto do hotel. Nada demais, cheia de coisas de feirinha. O mais legal que eu vi foram umas máscaras de teatro coloridas que eram muito bonitas! Total Romeu e Julieta! Fiquei brigando comigo mesma para não comprar nenhuma porque a mais barata custava AU$35,00.
Eu: SÓ O ESSENCIAL, MARINA. SÓ O ESSENCIAL.
Mente: Mas como você tem a pachorra de dizer que uma máscara de Romeu e Julieta não é essencial?
Eu: Você ia fazer o que com ela? Pendurar na parede do seu quarto de enfeite?
Mente: Não, eu ia usar!
Eu: EM QUAL situação?? Pra ir pro cursinho??
Mente: Não, ia usar num... baile de máscaras!
Eu: Olha, se fosse mais barata e você não fosse gastar AU$50,00 para ir pro aeroporto que até deixava você comprar. Mas hoje não vai dar.
(Qualquer semelhança do trecho acima com o capítulo 42 de Eat Pray Love é pura coincidência)
     Essa conversa interna me faz lembrar da decoração do meu quarto e... MANO, eu tenho um pôster do Zac Efron na parede! Ainda acho ele lindo, mas náá. O quarto não tem mais minha cara. Minha cara mudou. Mudanças serão necessárias.
     Me despedi das canadenses e fui para o hotel dar checkout e pegar minha malas. Andei até o ponto e peguei o ônibus – cujo motorista usava um boné do Bob Esponja, gostaria de constatar - para o porto. De lá, peguei uma ferry para a ilha onde ficava o aeroporto. ALGUÉM ME DIZ POR QUE O AEROPORTO FICA NUMA ILHA?? Chegando lá, fui fazer check-in e a mulher me vira e pede para PESAR MINHA MALA. 10,4kg. O máximo para mala de mão é 7kg. “You'll have to check it in. And this will cost you AU$40,00” PUTA. MERDA. Que raiva! Mó frescura dessa mulher! Nenhuma outra companhia pesou! Estava pesada, mas cabia tranquilamente no compartimento. MALDITA ¬¬ Pelo menos ela não pesou a outra, me deixando levar como mala de mão mesmo tendo certeza que tinha mais de 7kg também.
     Anyway, BACK TO SYDNEY! Home sweet home... Tecnicamente, eu nem tenho mais casa aqui. Mas me senti muito confortável de estar de volta à cidade do Opera House, na qual eu sei onde ficam as coisas, pela qual eu sei andar, a cidade eu mais amo no mundo (Perdeu, Paris).
     Anyway, descobri qual ônibus tinha que pegar (amo o fato de agora ser capaz de simplesmente “descobrir quando chegar lá”, sem ficar neurótica e desesperada achando que vou dormir na rua) e fui para casa do Paulão. Ele e a Bruma foram super fofos e atenciosos comigo! Mostrei as fotos da viagem pra eles e depois fui com a Bru no supermercado (onde comprei TimTam, Boost e vegemite para levar pro Brasil pros meus pais e o Marcelo fazerem uma degustação das especialidades australianas :D) e a gente fez strogonoff pro jantar.
     Depois de ajudar o Paulão a ir pro quarto pulando num pé só tadinho, a Bruma pegou edredons e travesseiros pra mim e eu estou aqui no sofá da sala – que é uma delícia – quentinha e pronta para dormir. Fiquei um tempo no computador e estava assistindo um filme (comédia romântica bobinha) até agora, mas como não estava tão interessante e eu estou com sono, vou dormir.
     Beijos de uma menina que só tem mais um dia em Sydney D:
     I

P. Sherman, 0807, Wallaby Way

     Acordei, me arrumei e fomos todos para o café da manhã. O sombra sentou do meu lado, terminou de comer antes de mim e ficou me esperando terminar para ir pro quarto. POR QUÊÊÊ, MENINOOOO???!!! Respirei fundo e, inspirada pela passagem de um livro que eu folheei na livraria outro dia dizendo “Be nice to boys. A little bit of attention can content stalkers”, resolvi ser legal com o coitado. Conversei com ele normalmente – tão normal quanto uma conversa com ele pode ser – no caminho para o quarto, onde pegamos nossas malas, para darmos checkout no hotel e irmos para o barco.
     Finalmente o garoto desgrudou e eu consegui conversar com um italiano e uma sueca legais :) Adoro conhecer gente do mundo todo, mas confesso que estou meio cansada de fazer social. De vez em quando eu penso “Ahh chega de conhecer pessoas novas e ter que ser legal! Cadê as pessoas que me conhecem?”
     A última parada do tour – e única parada de hoje – foi numa barreira de corais onde a gente fez um pouco mais de snorkel. A água estava ESTALANDO DE GELADA, mas pelo menos tinha peixes dessa vez e eles nadaram bem pertinho de mim :) Eu quase MUITO QUASE não fui. Estava pensando “Já fiz snorkel 3 vezes na última semana, precisa de mais?” mas aí pensei “Aproveite. Tudo. Essa é sua última semana na Austrália. Se você não fizer isso vai se arrepender profundamente. Além disso, essa pode ser a última vez que você vai mergulhar no Oceano Pacífico.” Fiz bem.
     Chegamos na Marina, onde o guia bonitão chamou todo mundo para ir no bar do meu hotel hoje às 19h e depois cada um foi pro seu canto e mal se despediu. Antes de ir para o hotel, eu fui para a lagoon e lá fiquei torrando no sol e lendo Eat Pray Love até cansar. Depois, fui para o backpackers e qual não foi minha surpresa quando eu olhei pela janela do quarto onde a alemã-de-dois-piercings estava com as minhas malas e ELA NÃO ESTAVA LÁ. Fucking fuck! Tá vendo, Marina! Quem mandou confiar em estranhos?! Agora a menina roubou suas coisas! Seu netbook está lá dentroooo!! E o vestido verde! E a sapatilha preta! E a blusa roxa! “Hi, receptionist, do you know if this german girl Erika changed rooms in the past three days?” “Yes, she's in room 31” Fui no room 31 e não tinha ninguém. AAAIII MEU JESUS CRISTOOO. Mandei uma mensagem pra ela e fiquei esperando pra ver se ela ia responder ou ia simplesmente afanar minhas malas.
     Fui passear um pouco pela cidade, comprei cartões postais, comi sorvete do McDonalds, fui numa lanhouse onde conversei com o Jonatan e sofri uma overdose de sentimentos que quase explodiu minha cabeça num conflito interno de EBAAA ESTOU VOLTANDO x NÃO QUERO VOTLAAAR!! e recebi uma mensagem da Erika toda fofa falando “Hi, sweetie. I'm back from work. You can come pick up your bags. I'm in room 31” Fui pro room 31 e lá estava ela toda fofa me esperando com as malas. Eu sorri e agradeci como se nunca tivesse desconfiado da honestidade dela.
     Sem conseguir pregar a bunda em lugar nenhum, numa ansiedade enorme porque O TEMPO ESTÁ ACABANDO TENHO QUE APROVEITAR TENHO QUE APROVEITAR TENHO QUE APROVEITAR, eu fui para a lagoon de novo, ficar olhando para coisas bonitas e tentando absorver a belexa delas. Até que deu frio e eu voltei para o hotel, onde encontrei minhas novas roomates legais: Sophie (inglesa), Stef e Kate (canadeses). Ficamos um tempo conversando e elas me contaram que viram tartarugas e baleias no tour delas. Não vou nem me dar ao trabalho de apertar o caps lock e começar a xingar minha falta de sorte.
     Quando deu umas 19h, as três desceram para o bar, onde elas iam se encontrar com o pessoal do tour delas – e, casualmente, o pessoal do meu tour – para “have a drink”. Não estava nem um pouco de ir “have a drink” com semi-conhecidos, mas também não queria ficar em casa. Não tem uma opção diferente tipo ficar sentada na praia conversando com a Bruna e a Natalie?
     A fome bateu e eu desci pra comer. Comi o resto do meu macarrão sem molho com o feijão que eu comprei hoje a tarde. É. MACARRÃO COM FEIJÃO. Eu sei. Mas, em minha defesa, o feijão daqui é diferente! Não tem gosto de feijão e vem com molho de presunto. Juro que ficou bom!
     Voltei para o quarto para ficar lá fazendo nada e, quando entraram no quarto dois novos roomates totalmente bêbados (que happened to be a guia do tour e o barman da ilha) falando que iam descer para a balada, eu agradeci imensamente por não estar lá embaixo e lembrei mais uma vez do livro que eu folheei na livraria, que dizia Never be the Drunk Chick. Essa menina devia ter lido esse livro porque a cena foi deplorável. Quando eles foram embora, minha barriga doeu e eu fui no banheiro umas três vezes em uma hora, eu agradeci abissalmente por não estar lá embaixo.
     Fiquei aqui na minha lendo até dar sono e eu conseguir adormecer apesar da barulheira lá debaixo. Umas duas horas depois, eu acordei ao som de Panamericano e me senti quase culpada por não estar dançando. Comecei a me mexer na cama, até que decidi ficar de pé e fiquei lá dançando sozinha no meio do quarto. Depois dessa, vieram todas as músicas-de-Austrália e eu quis muito que a Lê estivesse lá para dançar comigo (Tocaram todas, Lêêê!! Hello, Uuuu, Shuffle, Dynamite!!!).
     Quando voltei para a cama e estava quase caindo no sono de novo, o barman chegou no quarto muito mais bêbado do que antes e logo atrás dele, veio um segurança dizendo que ele tinha que sair porque esse era um “Girls Only Dorm”. Bebadamente, ele repetiu umas 8591347 vezes “But they gave me the key to this room when I checked in” até que desistiu e foi para o outro quarto.
     Se tudo der certo, eu vou dormir agora.
     Beijos de uma menina que vai voltar pra sua amada Sydney amanhã
     F

P. Sherman, 0707, Wallaby Way

     Acordei com o despertador do sueco, que tocou antes do meu, me arrumei e nós (os 5 do meu quarto) fomos para o café da manhã. Comemos e fomos pro barco para velejar pelas ilhas de Whitsundays *__* E NÃO É QUE O MENINO GRUDOU EM MIM MEEESMO? O cara ficou sentado do meu lado um tempão e ficava me olhando com uma cara estranha meio de maníaco e, quando ele sorria, me lembrava a cara que o Pedro faz quando fala “tapinha na cocaína”. E toda vez que ele fala alguma coisa eu tenho que pedir pra ele repetir porque NÃO DÁ PRA ENTENDEEER, PORRAAA FALA DIREITOOOO!! Foi quando eu comecei a contar os dedos do pé dele para ver se ele tinha 5 mesmo que eu percebi que estava procurando defeito onde não tinha.
     No caminho para a praia de Whitehaven, a gente viu golfinhoooos!!!! Eu nunca tinha visto golfinhos na vidaaaa!!! Eles estavam nadando e dando uns pulos de vez em quando, igual nos desenhos! *___* Chegando na praia, cuja areia é a mais fina do mundo, os indianosfromuk me enterraram na areia deixando só a cabeça para fora! =D (Mais um CHECK na minha lista de coisas para fazer antes de morrer!) Foi divertido. He. As fotos estão na máquina de uma das meninas, não na minha. Porque na posição que eu estava – coberta de areia sem poder me mexer – não dava para dar o truque que faz minha máquina ligar. Nessa mesma praia, eu vi um dragão de comodo (um lagarto grandão) andando no mato e foi legal =D
     Voltamos para o barco e eu fiquei dormindo no sol... Até que chegamos num ponto de snorkel. Pulamos na água QUE ESTAVA GELADA PRA <3 e enfiamos a cara na água para procurar o Nemo. FOI MÓ MIADO. A máscara ficava embaçando o tempo todo, quase não tinha peixe e os corais não tinham cores incríveis. A única coisa legal que eu vi foi uma água-viva mas fiquei com medo e nadei para longe.
     Voltamos para o barco e, lá estava eu vendo o sol se por atrás das ilhas, deixando no céu um degradê de cores maravilhoso, com o mar cor-de-piscina diante de mim, quando um dos indianosfromuk falou, atônito, “This is real life.” Os amigos dele deram risada e zoaram ele, mas eu achei genial. CARA. THIS. IS. REAL. LIFE. Essa imagem linda, maravilhosa! Não acredito que eu estou aqui! O mundo é tão lindo que dói!! É ão lindo que eu quero ENGOLIR ele! Quero... quero... quero... Sei lá! Quero alguma coisa, quero conseguir absorver toda essa beleza! Mas como? E mais uma vez, me volto para a escrita e as fotos. Às vezes eu sinto que meu diário é uma forma de organizar meus pensamentos, de explicar pro mundo o que eu penso sobre ele. Não sei se vou conseguir mesmo abandoná-lo.
     De volta ao hotel, tomei banho e fui para o jantar, onde me deparei com um escocês de saia. “Fair enough” disse a inglesa depois de trocarmos olhares risonhos. Os jogos de hoje foram: 1) Virar um copo de cerveja sem usar as mãos. 2) Colocar uma moeda na bunda e sem tocar, fazê-la cair dentro de uma jarra de cerveja que estava no chão. 3) Sex Positions. OLHA O NAIPE DO JOGO! Era assim: o guia bonitão gritava o nome de uma posição e você e seu parceiro tinham que fazê-la. Vergonha de olhar pra cara do búlgaro-semi-conhecido depois, hum? Levemos na esportiva, É TUDO BRINCADEIRA :) By the way, as duplas de homem com homem eram as melhores.
     Para finalizar a noite, rolou um karaokê mas não quis cantar sozinha. Fiquei só vendo os outros cantarem e sentindo vergonha alheia da mulher que mulher destruiu completamente Total Eclipse of The Heart (NÃO É ASSIM QUE FAAAZ, MOÇAAAA!!) e do sueco, que cantou duas vezes com sua voz fanha e desafinada. Quando cansei e resolvi ir pro quarto dormir, o carrapato veio junto e tentou puxar assunto com “Can you believe this is already the last night?” HÃÃà THE LAST OUT OF... TWO? ¬¬
     Beijos de uma menina que tem seu próprio stalker

P. Sherman, 0607, Wallaby Way

     AI. CREDO. Sonhei que estava sendo perseguida pelo Hitler! Eu e mais duas pessoas, cujos rostos agora se resumem a pontos de interrogação, entramos dentro de um no chão pra nos escondermos, mas um dos soldados dele achou a gente e... eu acordei. Sã e salva dentro do quarto do backpackers. Desci para tomar café da manhã (que aqui é de graça mas não é pobre que nem o de Alice) e achei engraçado o curso que levou a minha conversa com uma menina que estava sentada na minha frente: “Hum... that jam is delicious, isn't it?” “Yeah, it's really good. I'm Jane” “I'm Marina” Sei lá, não tenho o costume de me apresentar pra alguém que comenta sobre a geléia. Isso não acontece no Brasil. Achei legal :)
     Depois do café da manhã, passei na boca de fumo checar meu facebook e fui passear pela cidade. Entrei numas lojas de souvenirs peculiares, que vendiam baralhos com 52 figuras diferentes e capas de tábua de passar com a figura de um homem de toalha que vai ficando pelado conforme você passa roupas sobre ele. Fui numa banca e dei uma lida numa reportagem (fiquei lá lendo na cara de pau e no final não comprei a revista porque custava AU$9,00. Confesso que minha mente foi tomada pelo pensamento cleptomaníaco de “Seria tão fácil roubar isso!” mas não fiz nada, NÉ? )sobre o último Harry Potter e MORRI. Sabia que eles explodiram de verdade o cenário deles de Hogwarts?! Cara, não acredito que esse é o ÚLTIMO Harry Potter. AAAHHHHH EU NÃO QUERO QUE ACABEEEE!! (Olha eu tentando prender o passado de novo) Vou reler todos os livros quando eu voltar!
     Aqui em Airlie Beach tem uma praia artificial/piscina pública/lagoon também. Igual em Cairns. Mas a daqui é bem mais bonita. Fiquei lá um tempo fazendo nada e depois fui para o hotel dar checkout (e descobri que vou ter que pagar CINQUENTA DÓLERES para ir para o aeroporto no sábado!!) e almoçar. Prato do dia: macarrão sem molho. Sem sal. Sem azeite. Sem NADA. Macarrão com macarrão, porque era a única coisa que eu tinha para preparar. FAZ PARTE DA CONSTRUÇÃO DO CARÁTER.
     Depois da minha amável refeição, eu voltei para a lagoon e fiquei lá lendo Eat Pray Love – O CAPITULO 42 É SEN. SA. CI. O. NAL - até dar a hora de ir para a marina. Fiquei lá no deck, esperando o barco chegar e, ao ouvir um cara falando vividamente sobre como ele derrotou o Alakazan no Pokemon Stadium, não consegui segurar a risada. Uma das meninas que estava com ele falou “Are you really talking abour pokemon? Look, that girl is laughing at you” OPS. NÃO ERA PRA VOCÊ TER VISTO. Mas, no fim das contas, acabei fazendo amigos. Todos eles eram de família indiana mas moravam em Londres :)
     Às 14h o barco chegou. Uma vez embarcados, todos começaram a beber e a fumar e eu, mais uma vez, me senti desconfortável: ISSO NÃO É UM PASSEIO INOCENTE E FOFINHO DE BARCO PARA VER TARTARUGUINHAS E PEIXINHOS? Acabei me acostumando e consegui relaxar. Fiz amizade com um alemão, um búlgaro (que parece o marido da menina do Mamma Mia) que mora na Alemanha e um casal de ingleses. Fiquei presa no banheiro, mas quando comecei a chutar a porta para tentar abri-la, o guia (que OH. MY. GOD. Era muito gato e tinha a voz mais sexy do mundo) ouviu e foi ME RESGATAR, COM UM CAVALO BRANCO, EMPUNHANDO A ESPADA PARA MATAR O DRAGÃO E... abrir a porta pra mim.
     Chegamos na ilha (linda e paradisíaca) onde íamos passar a noite, umas 18h. Fiquei no quarto com o búlgaro, o alemão, o casal inglês e um sueco. Jantamos macarrão COM MOLHO e depois os guias organizaram uns “drinking games” que foram bem engraçados. Antes de tudo, todo mundo teve que cantar (talvez gritar seja um verbo mais apropriado) seu hino nacional ao mesmo tempo, depois fizemos um jogo em que um tinha que virar bebida na boca do outro, depois um que você tinha que beber o mais rápido possível e ficar jogando o copo para cima até ele cair em pé e, por fim, um que a gente tinha que passar um daqueles spaghettis de piscina pelo meio das pernas uns dos outros. Foi engraçado e tenho que admitir que cerveja não é tããããão ruim assim.
     Depois dos jogos, fiquei sentada conversando com o búlgaro e com o sueco... o búlgaro é bem gente boa, mas o sueco é... estranho. Ele parece o Leonardo DiCaprio, mas é meio freak. Fala mó rápido e enrolado e resolveu grudar em mim. Quando a gente veio pro quarto, ele perguntou se eu podia acordar ele amanhã de manhã. HÃÃÃ, NÃO. “Why, you don't have an alarm clock?” “Yes” “I think it's better if you set your own...”
     Beijos de uma menina que está com saudades de Sydney
     O

terça-feira, 5 de julho de 2011

P. Sherman, 0507, Wallaby Way

     Acordei às 6h30, tomei café da manhã e encontrei com o John (o gordinho engraçado, que na verdade nem é tão gordinho assim. E ele é tão legal que merece ser chamado pelo nome), ele me olhou com cara de VOCÊ NÃO FOI NO CHURRASCO ONTEM e nós tivemos a seguinte conversa:
J: “Why are you up so early? Are you going to the reef?”
M: “No, I'm leaving”
(J faz cara triste)
M: “I'm going to Whitsundays”
J: “Fair enough”
M: “I hope the weather is better there!” (tentando quebrar o gelo)
J: “Me too” (e sai com a cabeça baixa)
     FIQUEI DE CORAÇÃO PARTIDO. Dei checkout e entrei no onibusinho do hotel para a cidade. Quando cheguei lá, ele desceu para me ajudar com as malas e eu falei “Bye! Thank you! And sorry for not dancing with you”. Ele sorriu, disse “Have a good trip, darling” e me deu um beijo na bochecha.
     Tá. Esse é o tipo da história dramática que provavelmente só aconteceu na minha cabeça. Na real, ele não deve ter nem ligado que eu não fui no churrasco e não dancei com ele e já estava indo embora. E deve ter sido simpático comigo só porque ele trabalha num backpackers com jovens do mundo todo e o trabalho dele é ser legal. Mas, enfim.
     Cheguei lá na cidade e peguei o ônibus para Whitsundays, dentro do qual fiquei 10 horas. DEZ. HORAS. Durante 9 delas, a paisagem resumiu-se a milharais e, na hora restante, a plantações de outras coisas. Vim o caminho quase todo ouvindo iPod. Tentei ler, mas fiquei enjoada. Então tive bastante tempo para pensar na vida e dormir.
     Paramos Às 10h30 para comer e eu peguei um sanduíche de ovo com curry que estava péssimo. MARINA, OVO COM CURRY SÓ É MAIS GOSTOSO QUE PRESUNTO E QUEIJO QUANDO A SUA MÃE (OU A MÃE DA NATALIE) FAZ, NÃO NUMA LOJA DE CONVENIÊNCIA FAJUTA NO MEIO DO NADA.
     Voltei para o ônibus, que quase atropelou um emú (um pássaro australiano que parece um avestruz), não assisti o filme da Angelina Jolie que estava passando e dormi. Acordei com meus pais me ligando. Falei para eles que meus créditos estavam acabando e que eu não tinha dinheiro para pôr mais então que agora eles que tinham que me ligar sempre. Aí meu pai MANDOU eu por crédito. Falou que ia me mandar dinheiro e que era pra eu por crédito e ligar para eles todos os dias. AQUILO ME IRRITOU DE UM JEITO! “Você não manda em mim!” foi o que veio na minha cabeça e estou só vendo as brigas que esse novo pensamento vai causar quando eu voltar. Porque na cabeça dele, claramente, está uma ideia diferente. Hunf, como se a gente já não brigasse o suficiente antes de eu vir. Não tem PORQUE por mais crédito no celular! O que eu tenho é suficiente para ligar da África do Sul para falar OI, TO BEM. O AVIÃO NÃO CAIU. E pronto! Por que eles não podem me ligar nos outros dias? Se eu tiver alguma emergência, posso usar o celular do Brasil. Nem sei onde tem lugar de carregar celular em Whitsundays!
Anyway, acalmei a mim mesma e tentei não me pré-ocupar com as possíveis brigas que estão por vir. Resolvi que não vou criar caso. Vou simplesmente enrolá-lo e não recarregar o celular. Simples assim.
     Quando eram 15h, eu já estava morrendo de fome e o motorista falou que dali 1h íamos parar para comer. CARA, se eu soubesse às 10h30 que só ia parar para comer de novo dali 5h, teria comido mais! Chegando no segundo pitstop, pedi um hamburguer e, quando estava na metade, vi que todo mundo já estava dentro do ônibus e corri para entrar. Nisso, derrubei o hamburguer e a beterraba (sim, tinha beterraba oO) do hamburguer e entrei no ônibus comendo pão com salada.
     Quando cheguei em Airlie Beach, fiquei meio perdida, sem saber como chegar no hotel. Liguei para eles e recebi as instruções. Andei andei andei, errei, voltei, andei andei andei, errei, voltei, andei andei andei e cheguei :) Na recepção, deu um rolinho com a minha reserva, mas a mulher ligou para a agência de Sydney e resolveu tudo rapidinho. Quando entrei no quarto, com 10 camas e só uma ocupada, fiquei com vontade de chorar. OIII???? POR QUÊ, GENTE???!!! Não tendo nenhuma resposta, eu me ignorei e fui tomar banho. Saindo do banho, conheci minha roomate: uma alemã com um piercing em cada narina. Achei estranho, mas ela é legal :)
     Arrumei minha mala de 3 dias, dentro da minha mala de 2 semanas, dentro da minha mala de 6 meses, dentro da minha real quantidade de roupas, para ir para o tour amanhã. Vou deixar o resto aqui no quarto, como se fosse da Erika (a alemã), para não ter que pagar para deixar no luggage room do hotel. FOFA! A gente conversou um pouco e ela falou o famoso “Do you wanna go for a drink?” e eu fiquei intimidada com a pergunta. Mesmo tendo “aprendido a beber”, esse convite ainda soa desconfortável para mim. Tipo, NÃÃÃOOO EU SOU PEQUENAAA. Sem falar que eu não gosto de beber com estranhos e a grana está curta, né?
     A segunda roomate chegou um pouco depois e ela também é fofíssima. Comprou pizza no Dominos e superdividiu comigo, só porque eu estava com preguiça de fazer macarrão. O nome dela é Louise e ela é escocesa. Ficamos as duas no quarto, cada uma fazendo suas coisas e conversando eventualmente. Ela falou que o bar aqui do hotel tem drinks por AU$3,00 das 17h30 às 22h e banda ao vivo todas as noites. INTERESTING... Quem sabe depois que eu voltar do tour e tiver amigos?
     Anyway, estou aqui lendo Eat Pray Love, mas como a Índia não está tão interessante quanto a Itália, eu estou ficando com sono.
     Beijos de uma menina que gosta mais de comer do que de rezar

segunda-feira, 4 de julho de 2011

P. Sherman, 0407, Wallaby Way

     Nossa. Não lembrava mais o que era dormir 12 horas numa noite. Fui dormir às 21h30 e acordei às 9h30... QUE DELÍCIA... Fiquei um tempo me revirando na cama de manhã, até que levantei, tomei café da manhã, dei uma organizada nas minhas roupas que estavam uma zona, descobri o ônibus que tinha que pegar para ir pra praia mais próxima daqui (1h QUE ETERNIDADEEEE!!), peguei o ônibusinho do hotel para a cidade e de lá peguei o ônibus pra praia.
     Chegando na praia (que tinha COQUEIROS! Choquei. Fazia muito tempo que eu não via conqueiro na praia, aqui as praias tem PINHEIROS ??!!), me perguntei: “Tá, quais são os planos para hoje?” e me respondi “Andar até a ponta da praia” e ri. Não sei quanto tempo eu fiquei lá, mas tudo que eu fiz o dia inteiro foi andar até um lado da praia, deitar na areia, entrar no mar, comer uma torta de uma vendinha, andar até a outra ponta, entrar no mar de novo, deitar na areia de novo... E como esqueci o iPod e o Eat Pray Love de novo, fiquei literalmente fazendo nada o dia inteiro. Acho que a única coisa que eu fiz hoje foi pensar. Foi bem gostoso, mas to cansando um pouco de não ter nada para fazer. Já deu de Cairns. Amanhã: Whitsundays! =)
     Eram quase 16h quando eu fui para o ponto de ônibus para voltar para Cairns e um desconhecido começou a conversar comigo. Estava tudo bem, ele parecia legal e estávamos falando de coisas normais, quando ele me vira e pergunta “How do you deal with your sexual frustration?” “WHAAAT????” A partir de então, eu o ignorei completamente e percebi que ele tinha algum problema mental, quando ele mostrou a língua pra mim porque eu falei que não queria ver as fotos dele. Aí ele me perguntou se eu tinha 20 anos e eu disse “No” e ele falou “You're not even 20? I'm 31, you know?”. A essa altura eu já estava apavorada, torcendo para o ônibus chegar logo. Sentei o mais longe possível dele, dentro do ônibus, e chegando na cidade fui correndo para o ponto onde o ônibus do hotel ia parar, com medo do cara me seguir!
     Sã e salva dentro do hotel, eu tomei banho, fechei minha mala para amanhã de manhã, jantei e fui pro computer room. Vi esse vídeo sensacional http://www.youtube.com/watch?v=gJkThB_pxpw&feature=share, entrei no site da empresa do balão e fiz aquela coisa de pobre de dar print screen na foto com o logo da empresa no lugar de comprar a foto, postei fotos no livrodorosto, li e respondi todos os e-mails, mensagens, comentários e derivados dos meus amigos do Brasil e cheguei à conclusão de que eu tenho os melhores e mais engraçados e mais legais amigos do mundo! Nem acredito que em uma semana vou rever todo mundo! Não acredito que já passou! A minha VIAGEM PARA AUSTRÁLIA, aquela coisa que parecia uma monstruosidade gigante, vai acabar UMA SEMANA!
     Mais uma vez, fiquei antisocializando, aqui no meu quarto. O gordinho engraçado me perguntou, quando eu estava no ônibus voltando da cidade, "Are you coming to the barbecue tonight? You owe me a dance, my dear." E eu falei “Why not?” mas foi só para ser simpática, porque ele estava sendo legal. Na verdade, eu já tinha comida pronta e continuo sem ter ninguém para ir comigo. Sendo assim, fiquei aqui lendo Eat Pray Love e já estava cansando quando meu celular tocou e eu pensei PAAAAI, JÁ FALEI COM VOCÊ HOJEEE! “Alô?” “Maninááá???” “AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH” Era a Nacraudia *____* Ai que gostoso ouvir a voz delaaa!! Ficamos um tempão no telefone e nem acredito que desligamos falando “Até daqui uma semana”. Vou dormir com um sorriso no rosto :D
     Beijos de uma menina com a cara vermelha porque esqueceu de passar protetor hoje :P
     É