segunda-feira, 4 de julho de 2011

P. Sherman, 0307, Wallaby Way

     Acordei às 3h30 para ir andar de balão. Me arrumei, tomei café da manhã e fui pra frente do hotel esperar o ônibus da empresa, que estava vindo me buscar. Conversei com umas pessoas que AINDA estavam acordadas e estavam me perguntando porque eu JÁ estava acordada e, quando o ônibus chegou, eu entrei e qual não foi minha surpresa quando o motorista/organizador me vira com seus olhos puxados e fala “du iu go barunin tudei?” Eis que eu viro para trás e TODAS AS PESSOAS SENTADAS NO ÔNIBUS SÃO ASIÁTICAS. NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!
     Olhando a chuva pela janela, eu me arrependi profundamente de ter colocado chinelo. Eu NUNCA uso chinelo. Por que cargas d'água eu resolvi colocar hoje? Agora meus pés estavam congelando e eu estava trancada num ônibus com esse povo irritante que fala um dialeto alternativo que eles chamam de inglês, tira foto de absolutamente TUDO (e olha que sou EU que estou falando isso), tem altura máxima de 1m e ou não ri de nada ou ri de tudo com uma risadinha fina e irritante deixando os olhos dele menores do que já são. ISSO TUDO ÀS 4H DA MANHÃ! POR QUE TÃO CEDO, MEU DEUS? POR QUÊ?
Respirei fundo e repeti para mim mesma “Não julgue, Marina, não julgue as pessoas pela aparência. Ou o formato do olho.” Imaginei a Camila (Moretti) na minha situação e tive certeza do que ela faria: ela riria. No lugar de ficar irritada com a pateticidade dessas pessoas, ela riria delas. Mas não maldosamente. Riria delas com elas. Ofereceria para tirar foto delas pulando e ainda falaria “1, 2, 3 e já”. Seja um pouco mais Camila, Marina. Ria da vida.
     Anyway, paramos num lugar para pegar outros passageiros – que não eram asiáticos! UHU! - e fomos para o lugar onde estavam os balões. Quando chegamos, ainda estava escuro e eles estavam enchendo os balões. Foi muito legal vê-los enchendo, o cara ficava acendendo o fogo e o balão ia enchendo... enchendo... Já estava um pouco mais claro quando a gente entrou no balão, que CARA, era enorme! A cesta era para 20 pessoas e a lona tinha 36m de altura!
     Se o dia não estivesse nublado, a gente teria visto o nascer do sol, mas não foi o caso. O vôo durou meia hora e foi bem legal :) Não fiquei com nem um pouco de medo, nem quando tinha uma chama de 2,5m em cima da minha cabeça, nem quando o piloto falou “Eu não tenho controle da direção pra onde o balão vai. Ele vai de acordo com o vento. Tudo que eu posso fazer é controlar a altura.” A gente sobrevoou plantações de... coisas e florestas com cangurus/wallabies saltitando *__* E uma japonesa/coreana/chinesa doida começou a falar comigo em japonês/coreano/chinês! Eu fiquei tipo OOII??? Fiquei tão chocada que nem consegui responder nada. EU TENHO CARA DE ASIÁTICA? POR QUE VOCÊ TÁ FALANDO COMIGO NESSA LÍNGUA??!! A parte mais RADICAL (Nescau, o cereal radical!) foi a aterrissagem. O balão foi se aproximando no chão... se aproximando do chão... deu umas quicadas e parou. Aí ficou cambaleando de um lado pro outro e eles pediram pras pessoas começarem a sair. Logo depois que eu saí, eles resolveram fazer diferente e deitaram a cesta no chão! Muito mais legaaal! PO, POR QUE EU TINHA QUE SAIR ANTES? ¬¬
     Depois de todos ajudarmos a dobrar e guardar o balão, o ônibus foi para uma cidadezinha ali do lado onde tinha um mini-museu com umas coisas antigas (UM MUSEU COM COISAS ANTIGAS? AH VÁ!) e voltou para Cairns. Cheguei aqui às 9h30, sem planos para o dia. Achei que esse negócio fosse durar o dia inteiro! Mas foi tão rápido... AGORA ME DIZ: POR QUE TÃO CEDO???!!
     Anyway, tomei café da manhã de novo e fui dormir. Acordei às 12h30, almocei, dei uma arrumada nas minhas coisas que estavam uma zona, me olhei no espelho e percebi que estou GORDA e que preciso cortar o cabelo e fazer a sobrancelha e peguei o BUS TO TOOOOWN para ir na praia artificial (aquela piscina pública que eu falei). Como estava nublado e a água estava fria, eu acabei ficando só ali em volta, deitada na grama. Vi um monte de gente comendo sorvete e acabei caindo na tentação. Pensei “Estou gorda e não quero gastar dinheiro” e contra-argumentei: “Se você já está gorda, não é esse sorvete que vai fazer diferença. Você não vai emagrecer em uma semana e chegar no Brasil em forma. Desencana e aproveita sua Aussie. Além disso, o sorvete do Mc é só AU$0,50” Fez-se o estrago. Comprei uma casquinha e sentei na grama do lado da piscina. Não levei livro, nem iPod, nem celular... portanto, eu não tinha absolutamente NADA para fazer. Foi tão bom... Acho que dominei a arte de fazer nada. É uma delícia ficar deitada na grama sem pensar que eu devia estar estudando ou fazendo as coisas que estão na minha LISTA DE COISAS PARA FAZER sobre a minha escrivaninha ou que tenho que ir trabalhar em sei lá quanto tempo... Ficar sem fazer nada até cansar de não fazer nada e andar para o ponto onde o ônibus do hotel vai te buscar. O ônibus não apareceu e eu resolvi andar até o hotel. TUDO É TÃO SIMPLES QUANDO SE TEM UM MAPA!
     Cheguei aqui sã e salva em 15 minutos. Ainda eram 17h15 e eu não tinha mais nada para fazer. Fui para o quarto e fiquei jogando paciência no computador. (Me sinto muito loser toda vez que jogo paciência, não sei porquê). Minhas roomates escocesas se arrumaram para sair e chamaram dois meninos aqui para o quarto para “fazer um esquenta” (churras, breja, curtir, véi). Eu estava deitada na minha cama lendo Eat Pray Love e é difícil descrever o que aconteceu. Não sei se eles me ignoraram ou eu ignorei eles. O fato é que eles não me dirigiram a palavra e agiram como se eu não estivesse aqui. Eu, por sua vez, não consegui pensar em nada que valesse a pena falar e não fiquei à vontade para me meter na conversa deles. E é mais ou menos isso que está acontecendo todos os dias aqui em Cairns. A moça da agência de viagens falou que tinha AAALTAAAS FEEESTAAAS em Cairns e que eu ia me divertir pra caramba e que o meu backpackers é um dos mais badalados. Realmente, tem mó galera no bar lá embaixo e eu vi uma plaquinha na recepção de PRÊMIO DE MELHOR ATMOSFERA. Mas não sou descolada o suficiente pra ir lá sozinha tipo OI GENTE!
     No lugar disso, eu fiquei no quarto jogando paciência, lendo Eat Pray Love e uma lista que o Danilo me mandou há milênios de 786 JEITOS DE IRRITAR AS PESSOAS e revendo as fotos desde o começo da viagem... ai ai, vou sentir falta desse lugar, viu? Não quero nem pensar em como vai ser me despedir do Opera House.
     Beijos de uma menina com a impressão de que ultimamente os posts estão grandes demais
     T

P. Sherman, 0207, Wallaby Way

     Acordei às 6h20, troquei de roupa no escuro, tentando não acordar minhas roomates, comi o sucrilhos que eu comprei ontem de café da manhã e peguei o BUS TO TOWN das 7h10. Cheguei na marina, fiz o checkin e entrei no barco que ia me levar para fazer mergulho. Decidida a ser sociável, eu sentei numa mesa com três meninas e já comecei com o papinho introdutório “Hi, what's your name? Where are you from?” - Ella from Melbourne, Giorgia from Italy and Avril from Ireland. Todas viajando sozinhas também :)
     O barco foi ondulando pelo mar (que tinha uma cor inacreditavelmente linda, um azul que parecia fundo de piscina) e eu fiquei enjoada ¬¬ A Avril ofereceu remédio anti-enjôo pra gente e, DEPOIS DE CERTIFICAR QUE A EMBALAGEM NÃO DIZIA “BOA-NOITE CINDERELA”, PAI, eu tomei e ajudou :) A Avril é boazinha. A do mal é a Ella, que achou que eu falasse espanhol. Australiana ignorante ¬¬ Brincadeira, ela era boazinha. Só era burrinha, tadinha.
     Chegamos na nossa primeira parada, que era uma ilhazinha minúscula, com vários corais em volta. Eu achei que o mergulho fosse ser tipo MERGUUULHOOO DE VERDAAADEEE, com cilindro de oxigênio e tudo mais. Mas era só snorkel. Pra mergulhar de verdade, tinha que pagar AU$75,00. E, como o dinheiro está contado até o final da viagem, não rolou.
     Colocamos aquelas roupas de borracha, pés de pato e márcarazinha de snorkel – ADORO QUÃO PATÉTICAS AS PESSOAS FICAM COM ESSAS ROUPAS! - e entramos na água, que estava muito mais quente do que o barco e a ilha, onde estava ventando e garoando de lado (o que, segundo o gordinho engraçado do barco – ELES ESTÃO POR TODA PARTE *___* - não é frio. É tropical).
     Snorklei sobre os corais (que eram tipo 1 / 3768163972154782195 da Great Barier Reef – a maior barreira de corais do mundo =D) e vi anêmonas, esponjas (ACREDITA QUE NENHUMA DELAS USAVA CALÇA QUADRADA?!), peixes, coisas coloridas engraçadas que parecem cérebros, coisas amarelas legais que parecem macarrão e nenhuma tartaruga, estrela do mar, baleia, golfinho ou tubarão-que-não-mata-mas-dá-uma-adrenalina-pro-passeio.
     Depois do almoço, fomos para a nossa segunda parada: o paradise (um ponto no meio do mar, com bastante coral). Depois de ter comido, a minha vontade era vegetar pra sempre dentro do barco quentinho, mas é óbvio que eu não fiz isso. Me forcei a sair de dentro do barco, pôr a roupa molhada e gelada e ridícula e pular na água fria. E TEM QUE SE DIVERTIR!
     Gostei mais dessa parada do que da primeira. O coral era maior e tinha mais peixes diferentes e coloridos. E eu vi o peixe do BOLHAS BOLHAS MINHAS BOLHAS =D Além disso, não estava mais chovendo e o sol estava aparecendo no sol, então eu não congelei :D Mas ainda nada de Nemos, Doris e tartarugas surfistas “/
     No caminho de volta para a marina de Cairns, eu vim conversando com a Giorgia e BABY, EU TENHO UMA CASA PARA FICAR EM ROMA. TÁ? Ela é bem legal, viemos o caminho todo sentadas lá fora, tomando sol e conversando sobre os ex-namorados doidos dela, as viagens que nós duas fizemos, a faculdade que ela fez e que eu vou fazer... Toda vez que me perguntam o que eu vou fazer quando eu voltar pro Brasil, eu respondo: cursinho e faculdade de Audiovisual. Todo mundo acha superlegal. NOOSSAAA AUDIOVISUAAAL QUE LEGAL! E é legal mesmo. Então por que eu não fico mais empolgada me imaginando estudando no Senac e fazendo curtas e orgulhosa por estar no que foi classificado pelo MEC como melhor curso de audiovisual do Brasil? Tudo que eu consigo pensar é QUE PREGUIIIIIÇAAAAA... Tá, talvez seja porque, antes, eu vou ter que passar 6 meses no calabouço da morte, estudando 37 horas por dia, entrando em detalhes totalmente irrelevantes para a vida real. Mas, mesmo quando eu penso na faculdade isoladamente, não fico mais com os olhos brilhando. Não me imagino trabalhando numa produtora editando vídeos e mixando sons, por mais legal que eu ache isso. Será que eu devia desistir de audiovisual e me jogar na sorte das artes cênicas de uma vez? A ideia de fazer Célia Helena, me desperta certo interesse... Mas todos sabemos que isso vai me fazer morrer de fome, se eu não tiver nenhuma outra habilidade com a qual arranjar um emprego que me faça ganhar dinheiro de verdade. E arquitetura? Sempre tive interesse, adoro desenhar plantas e jogar The Sims... não, ainda não é isso... Não acredito! Eu, que sempre fui tão decidida na minha carreira e olhava com pena para as pessoas que estavam em dezembro do terceiro colegial e não sabiam o que fazer, não sei o que fazer agora. QUERO PASSAR O RESTO DA VIDA VIAJANDO PELO MUNDO, MORANDO 6 MESES EM CADA PAÍS! Como chama essa faculdade?
     Ficamos lá conversando até que um careca legal da tripulação – carecas legais também estão por toda parte – começou a fazer um show de mágica lá dentro, que nós assistimos enquanto tomávamos chá com bolachas. HOW BRITISH! Chegamos na marina às 17h, nós 4 tiramos fotos e trocamos facebooks e depois cada uma seguiu seu destino. Vim para cá com o ônibus do hotel e fui direto pro banho – meu cabelo estava uma coisa indescritível: um grude de água, sal e areia indesembarassável. Tá. Acabei de descrever. Quando voltei para o quarto, duas das minhas roomates que nunca estão aqui, estavam e eu, no meu espírito repentinamente sociável, comecei a conversar com elas e descobri que elas são inglesas *___* SE EU INVESTIR NA AMIZADE, VOLTO PRO BRASIL COM UM HOTEL NA ITÁLIA E UM NA INGLATERRA (fora os que eu já arranjei na Suíça, na Espanha, na França, na Suécia e em Portugal, nos últimos meses - e, consequentemente, minha casa virou hotel para todo mundo porque o processo é assim: "If you come to Brazil, call me! You can stay at my place!" o que meio que força a pessoa a dizer "You too!"). TÁ BOM, NÉ?
     Depois de jantar, fui pra lanhouse do hotel e postei as fotos de hoje no facebook, respondi mixurucamente os e-mails – só pra satisfazer a ansiedade das pessoas, porque na verdade vou poder discutir todos os assuntos pessoalmente daqui 9 dias. NOVE. DIAS.
     Não quero ir embora D:
     Beijos de uma menina que vai andar de balão amanhã *__*
     A

sábado, 2 de julho de 2011

P. Sherman, 0107, Wallaby Way

     Acordei às 9h da tarde, me coçando toda porque, como o meu repelente foi apreendido, os pernilongos fizeram um banquete durante a noite. Comi um pão de queijo e bacon que sobrou de ontem, tomei banho e fiquei me questionando o que fazer. Tenho mergulho marcado para amanhã e balão marcado para domingo. Mas hoje e segunda, eu não tenho nada para fazer! E, como não sou a Mônica nem a minha mãe, não li meu guia, não planejei nada e não tenho ideia do que tem para fazer em Cairns. Enquanto eu pensava, ouvi o gordinho engraçado gritar BUS TO TOWN!!!! E falei: por que não?
     Fiquei andando pelo centrinho da cidade e me senti na Praia Grande – só que sem perigo de ser assaltada e com pessoas mais bonitas. Tudo plano, as calçadas quadriculadinhas, várias lojinhas de trecos... Entre elas, uma de souvenirs, onde eu comprei um wombat de pelúcia *__*
Fui até a marina e vi um barco que é uma réplica de um barco antigo mas no qual eu não entrei porque tinha que pagar. Continuei andando e comprei um sorvete de menta e chocolate com um dinheiro que eu não devia ter gastado, mas que a tentação e as narrativas da Elizabeth Gilbert sobre os gelatos da Itália me forçaram a.
     Andei por todo o “calçadão” e passei por uma piscina pública incrivelmente limpa... só comendo meu sorvete e pensando em como, ironicamente, eu vou sentir falta de ficar sozinha quando eu voltar pro Brasil. De andar sem destino, sem pressa, sem ninguém me cobrando nada, poder fazer o que eu quiser e ter tempo para pensar. De passar a tarde comigo no Opera House. Preciso encontrar um Opera House em São Paulo.
Passei no supermercado e comprei macarrão, atum e sour cream para fazer minha comida da semana (vou ficar tempo suficiente aqui para isso. Nos outros lugares eu acabava comendo fora sempre porque não valia a pena cozinhar para tão pouco tempo) e fiquei fazendo hora deitada na grama DE CAMISETA DE MANGA CURTA E SHORTS, tomando sol ao som de uma banda ao vivo, enquanto esperava o ônibus que ia me trazer de volta para o backpackers.
     O gordinho engraçado chegou e nós viemos os dois dançando “Never gonna ge to far away from the music” dentro do ônibus. Ele adorou e no final falou "We should go out to dance someday!" Cheguei no hotel, fiz meu macarrão, ouvindo meu iPod e cantando sozinha na cozinha, almocei e passei a tarde lendo Eat Pray Love na beira da piscina :) Sou muito anti-social por estar interessada no meu livro e por ter vergonha de ir falar com completos estranhos que estavam sentados na mesa ali perto conversando?
     Quando cansei de ser culta, parei de ler e fui para o computador queimar meus neurônios. Falei com a minha mãe no skype, mas a ligação tava uma merda e meus créditos acabaram logo. Então, eu jantei e agora estou indo dormir (são tipo 21h30 da noite, mas amanhã eu vou acordar às 6h20, então é bom que eu esteja indo dormir cedo).
     Beijos de uma menina que vai ver Nemos e Doris amanhã *__*

sexta-feira, 1 de julho de 2011

P. Sherman, 3006, Wallaby Way

     Acordei, tomei café da manhã – aquele pobre mas que é de graça então tá valendo – arrumei minhas malas, tentando (inutilmente, porque estava mexendo com sacolas de plástico que fazem CRHPSHRHSPSH num volume desproporcionalmente alto) não fazer acordar as minhas roomates, dei checkout e fui para o computer room usar a 1h de crédito que eu comprei. Quando acabou, eu comprei mais 15 minutos e depois mais 15 minutos. Me senti uma viciada em drogas que vende os relógios dos pais e vai na favela para comprar só mais um pouquinho de cocaína. E mesmo assim, ainda não fica satisfeita. 1H30 não foi suficiente para carregar minhas fotos no picasa e no facebook e ler os e-mails e convidar as pessoas para o meu jantar de despedida no Churrasco e acalmar os nervos de quem está me cobrando notícias no facebook.
     Uma parte de mim ficou feliz quando o cartão com os créditos pra internet parou de funcionar – sem motivo nenhum, como todas as falhas inexplicáveis de aparelhos eletrônicos – e eu fui forçada a sair do computador e ir para o mundo. Peguei um mapa da cidade e fui no banco tentar tirar meu dinheiro do tax. Tax é um imposto que descontam do seu salário toda semana, mas que você pode pegar de volta quando para de trabalhar. Falei com uma mulher lá e no fim das contas, não consegui. Cada pessoa me fala uma coisa e até agora eu não entendi como pegar esse dinheiro de volta ¬¬
     Liguei para a Ola e fui encontrar com ela, as duas escocesas e os três franceses na cidade (acho muito legal que tem aborígenes para todo lado por lá. Onde no Brasil a gente encontra índios andando por aí??). Fomos no supermercado para comprarmos comida para o almoço: picnic no parque :) Foi legal, eles são pessoas bem legais! Rolou uma listinha de e-mails, então talvez eu ainda venha a ter notícias deles de novo na vida. Quando deu 14h30, eu fui embora. Voltei para o hotel, terminei de arrumar minhas coisas e peguei o ônibus fretado das 15h30 para o aeroporto para vir para Cairns.
     Gostei tanto do aeroporto de Alice Springs... Ele é térreo e pequenininho, mas ainda tem todo aquele ar de aeroporto que eu amo. Todo moderno e internacional, mas rodeado de árvores! ANYWAY, fiz checkin, passei pelo raio-x e tive meu repelente apreendido porque era aerosol ¬¬ e depois fiquei no portão de embarque esperando pro embarque (AH VÁ!). Foi quando eu descobri que TINHA FREE WI-FI! UHUUUUU!!! Entrei na internet, terminei de ler o e-mail abissal da Gi e de pôr as fotos no facebook, comecei a responder os e-mail e a carregar as fotos no picasa, mas antes – BEEEEM ANTEEES - de eu terminar, começaram a chamar para embarcar.
     O avião estava mó vazio! Tinha vários lugares desocupados. Eu ia mudar de cadeira e deitar em uma daquelas de três, mas outras pessoas tiveram a ideia antes de mim, então eu me contentei a ficar olhando o pôr do sol que estava MARAVILHOSAMENTE SENSACIONAL E CHEIO DE CORES LINDAS. E... bem... é... hum... tirei fotos.
     Foi tudo bem no vôo e eles serviram jantar! YAAAY! Chegando em Cairns, ESTAVA QUENTE. Quente tipo, CALOR MESMO. Calor tipo A MARINA NÃO ESTAVA COM FRIO. Calor tipo ESTAVA CHOVENDO E NÃO ESTAVA FRIO *___________* Liguei pro backpackers e um cara gordinho engraçado foi lá me buscar. Viemos para cá e ele me mostrou meu quarto, que é rosa e eu estou dividindo com 5 meninas. Fiquei um tempo vegetando na cama, não conversei com uma das minhas roomates porque ela estava assistindo um filme no computador, conversei um pouco com outra que curiosamente (digo “curiosamente” porque eu nunca tinha conhecido nenhuma na vida e de repente conheci 3!) é escocesa e agora estou indo dormir. Ainda são 21h e está rolando mó AGITO no bar lá embaixo, mas eu estou cansada e não vou lá sozinha, né?
     Beijos de uma menina que não faz ideia do que vai fazer amanhã
     G

P. Sherman, 2906, Wallaby Way

    Acordei às 5h15 de novo, feliz por não ter nenhum rato na cara, tomei café da manhã e entrei no ônibus para os canions. Como não podia faltar, para poder chamar essa viagem de aventura, o pneu furou. Todo mundo desceu e ficamos quase 1h parados na estrada para trocar. Eu não tenho conhecimento nem habilidade para ajudar, mas fiquei junto e segurei os parafusos.
     Back to the road, chegamos nos canions e, com toda certeza, foi o lugar que eu mais gostei de visitar aqui. Mais bonito que o Kata Tjuta, mais bonito que o Uluru... E eu vi uma das coisas mais sensacionais que eu já vi aqui na Austrália: um coala que cabia na palma da minha mão. Ele estava agarrado num galho de árvore e mal parecia um coala porque estava muito doente e o pelo dele estava seco e duro. A guia falou que se a gente pegasse ele na mão, ele provavelmente quebraria. Mas que isso é normal aqui, só o fato de ele estar vivo é uma vitória.
     Anyway, continuamos andando e tirando fotos – desisti do diário, mas não das fotos. Gosto demais delas para isso. Mas vou tomar cuidado para não olhar os lugares só por trás da lente – e ficando com vontade de fazer xixi porque a guia manda a gente beber água toda hora para não desidratar e a caminhada tinha 3h30 sem nenhum banheiro no caminho. Mesmo estando diante de precipícios de centenas de metros de altura, sobre pedras de areia cujas margens podiam espatifar a qualquer momento, eu não fiquei com medo porque obedeci a ordem FIQUE SEMPRE A 2 METROS DA BEIRADA da guia, diferente das asiáticas retardadas que ficaram tirando fotinho sentadas/deitadas na borda das pedras.
     Depois dos Canions, nós pegamos o ônibus de volta para Alice Springs. Paramos algumas vezes para ir no banheiro, almoçar, resistir ao milkshake delicioso, caro e engordante e quebrar os óculos escuros. Uma das francesas, cujo pai é português, colocou o iPod dela com músicas brasileiras para tocar e nós viemos ouvindo Ivete Sangalo metade do caminho :D Na outra metade, eu e as escocesas ficamos cantando as músicas do Rei Leão, que vieram na nossa cabeça do nada – acredito que tenha a ver com o céu laranjaamareloverdeazul de fim de tarde que estava totalmente Ciclo Sem Fim.
     À essa altura do dia, eu estava com aquela sensação de quando você volta de uma viagem superlegal, mas está mó cansada e tem aquela sensação de "Hum... agora estou voltando pro conforto gostoso de casa". Mas no meu caso, casa = Toddy's Backpackers. Chegando lá, liguei para a minha mãe para dizer que tinha sobrevivido e estava de volta à civilização – se é que dá pra chamar Alice Springs de civilização – onde tinha sinal de celular. Pus todas as minhas roupas na máquina de lavar e depois na máquina de sacar e isso me custou OITO DÓLARES. Depois, fui para o restaurantezinho do hotel, onde todos do tour se encontraram para jantar juntos. Comi macarrão à bolonhesa, mas não estava tão bom. Bom, estava tão ruim quanto um macarrão à bolonhesa pode ser, né? Mas por AU$5,00 eu estou feliz.
     Saindo de lá, fomos todos para um bar na cidade. Foi engraçado fingir que sabíamos dançar shuffle e brincar de passar embaixo da muleta da Fiona, mas fiquei desconfortável quando todo mundo estava bêbado e solto e com regata, falando para eu tirar o casaco e o cachecol sendo que eu estava morrendo de frio. “If you dance, you'll get warm! Come on, you don't look like a brazilian!” Me senti de volta à sexta série, sob pressão da sociedade. A diferença é que agora, eu fico com o casaco.
     Quando o bar fechou, as pessoas queria ir para outro, mas eu vi a oportunidade perfeita para fugir para o meu lar doce lar – bom, pelo menos por essa noite. Cá estou dentro de um saco de dormir, na cama de cima de um beliche, num quarto com mais três meninas cujos nomes eu nem lembro porque mal conversamos antes de eu sair para jantar, pronta para entrar no maravilhoso mundo dos sonhos. Ah, e acabei de perceber que a sola do meu all star está descolando. É, não é lá o calcado mais apropriado para 3h30 de caminhada né?
     Beijos de uma menina que devia ter trazido o tênis de amortecedor para a viagem.
     O

P. Sherman, 2806, Wallaby Way

     Lembra quando a gente aprendeu na escola que faz muito frio no deserto à noite? Não é mentira. E às 5h da manhã, ainda é noite. Quando eu saí da barraca PUTA QUE PARIU! Estava FUCKING FREEZING!!!! Tomei café da manhã (pão com nutella huuummmm *_____*) e a gente foi de ônibus pro Uluru para assistir o sunrise. No caminho, a Shannon colocou umas músicas australainas engraçadas para tocar, com letras do tipo “Come to Australia and you might accidentaly get killed!” e “Dou-di-dou-di-dou-dou-dou on the back of a kangoroo!”
     Depois de assistirmos o nascer do sol – que foi maomeno (mesmo problema do pôr do sol porque dessa vez a gente assistiu do outro lado ¬¬) – a gente fez a caminhada pelo Uluru. Dá para entender porque os aborígenes o consideram sagrado. É tão enorme, tão gigante... Dá pra sentir o poder que ele exala. E dá para entender porque eles pedem para a gente não escalar – apesar de existir a opção e de eu ter ficado tentada a fazê-la até descobrir que 36 pessoas morreram escalando e que os aborígenes se consideram responsáveis por cada uma dessas mortes e pela contaminação daquele espaço sagrado se autopunem batendo a cabeça em pedras e cortando os punhos –, seria como escalar uma igreja. Tirei 8231640613287538165874682 fotos e, só quando a gente chegou no water hole e a Ola (uma australiana que estava no tour) falou “It's so peaceful”, eu percebi que não tinha percebido que era peaceful porque não estava olhando e sentindo o lugar porque estava muito ocupada tirando fotos, que no fim das contas vão parecer todas iguais, vão parecer só... pedras. Conversei com ela sobre isso no caminho de volta pro ônibus e ela disse que a melhor coisa que aconteceu com ela foi perder a máquina fotográfica na viagem que ela fez pra Europa. No lugar de comprar outra e freneticamente postar no facebook tudo que acontece com ela, ela aproveitou os lugares, olhou de verdade para cada um deles. Eu acho que eu tiro tantas fotos e escrevo um diário há 12 anos porque tenho medo de esquecer as coisas e faço isso para tentar eternizá-las. E se eu simplesmente aproveitá-las enquanto elas acontecem sem a ansiedade de registrá-las e deixar pro meu cérebro o trabalho de selecionar o que merece ser lembrado ou não? Só não abandono esse blog neste exato momento porque sei que vocês querem saber o que está acontecendo comigo, mas acho que a dinastia de diários de Marina Moretti chegou ao fim. Pelo menos por enquanto...
     Depois da caminhada, nós fomos para o centro cultural, onde tinha um museu com histórias e arte aborígenes e um livro de cartas de pessoas pedindo desculpa por terem levado pedacinhos de pedras no Uluru para casa ou tirado fotos nas áreas proibidas (algumas partes são sagradas e não podem ser fotografadas), dizendo que tudo começou a dar errado na vida delas depois disso. No caminho para o camping, eu comecei a rever minhas fotos na máquina e percebi que no fundo de uma delas tinha uma placa de DO NOT TAKE PICTURES IN THIS AREA. Deletei na hora.
     O almoço hoje foi hamburguer e uma das coreanas falou que eu pareço a Hermione *__* Levantamos acampamento e pegamos a estrada para um outro camping, perto do Kings Canion. Demorou 5 horas pra chegar lá. Paramos algumas vezes para ir no banheiro e se alongar e uma para catar lenha pra fogueira! Como diria o Marcelo, MUITO TR00!
     Chegamos no novo camping no fim da tarde e jantamos na companhia de ratos que estavam andando para lá e para cá ao nosso redor. Depois da janta, sentamos todos em volta da fogueira e comemos marshmallows espetados em galhos, que a gente catou do chão – o mesmo chão onde nós e os ratos pisamos – e ficamos contando piadas. Eu não contei nenhuma, mas ouvi várias de alemães zoando franceses e franceses zoando belgas. Conversei bastante com a Fiona e ela é legal =D
     Agora acabaram as piadas e estão todos indo dormir. Hoje não tem barraca. Vamos dormir dentro de sacos de dormir, dentro de um negócio que eu nunca lembro o nome (é tipo um saco de dormir mais grosso e com um colchãozinho nas costas), em volta da fogueira. E, quer saber? NÃO TOMEI BANHO MESMO. Tá frio demais pra isso! E tenho certeza que os ratos não vão ligar. Aliás, espero que nenhum deles entre dentro do meu saco de dormir durante a noite, nem as cobras do deserto. Estupidamente, eu não estou com medo dos dingoes (cachorros selvagens), só porque eles são peludinhos e fofinhos e parecem cachorros. Mas, considerando que eu devia estar, espero que nenhum deles venha lamber minha cara.
     Beijos de uma menina que vai dormir vendo a via láctea
     L
     PS: Acabei de ver duas estrelas cadentes.

P. Sherman, 2706, Wallaby Way

     Não sei porque, mas hoje acordei com muita saudade do Jonatan! Acho que sonhei com ele, mas TÉ PARECE que eu lembro o quê ¬¬ PÔ, CÉREBRO! COLABORA, NÉ?
     Anyway, acordei meia hora antes do que devia porque esqueci de arrumar o relógio do celular de acordo com o fuso horário daqui, que é meia hora (ONDE JÁ SE VIU FUSO-HORÁRIO DE MEIA HORA??!!) mais cedo. O que significa que eu acordei às 4h30 (Y). Me arrumei e fiquei fazendo hora até dar 5h30, que era quando começavam a servir o café da manhã – que era bem pobrinho, nada daqueles banquetes de hotel de quando você viaja com a família. Mas só o fato de oferecer café da manhã tá bom demais. Nenhum backpacker faz isso! Se eu fosse comprar meu próprio, provavelmente comeria exatamente a mesma coisa: torrada com manteiga e leite.
     Me despedi da Sasha – que é uma fofa! Sei que já disse, mas preciso repetir. Ela é uma graça! Super me abraçou e desejou boa viagem e tudo mais, sendo que não fazia nem 24 horas que a gente se conhecia – e peguei o ônibus pro tour. A guia era uma mulher chamada Shannon. Broxei quando vi que era uma mulher baixinha que fala cada frase como se estivesse perguntando alguma coisa e não um cara gordinho engraçados que fala gritando e fica fazendo piada o tempo todo – tipo o que me pegou no aeroporto ontem.
     Tinham 24 pessoas no ônibus: um monte de alemão, três franceses, três coreanas, uma japonesa, uma sueca, dois australianos, dois eslovacos, duas escocesas e só eu de brasileira (graças a deus!). Todo mundo caiu no sono nas primeiras horas de viagem, então nem rolou muita interação. Paramos num lugar desses de estrada para ir no banheiro e comer, mas não era qualquer lugar-de-estrada-para-ir-no-banheiro-e-comer. TINHA CAMELOS! E eu paguei AU$6,00 para andar em um por 1 minuto!! *_____* (Caro, eu sei. Como tudo aqui nesse deserto! Eles metem a faca porque são a única opção. MAS QUEM LIGA? ERA UM CAMELO! EU TINHA QUE ANDAR!)
     Voltamos pro ônibus e rolou uma apresentação estilo alcoólatras anônimos: OI, MEU NOME É MARINA. EU SOU BRASILEIRA, MAS ESTAVA MORANDO EM SYDNEY NOS ÚLTIMOS CINCO MESES. MEU ANIMAL AUSTRALIANO PREFERIDO É CANGURU E MEU PRÓXIMO DESTINO É CAIRNS. E EU NÃO GOSTO DE VEGEMITE.
     Na estrada, a gente viu uma águia muito enorme, legal e épica (comendo um canguru atropelado =/) e uma pedra gigante no meio do nada que não é o Uluru – QUAL É A DO ULURU ENTÃO? Achei que fosse famoso por ser a única pedra no meio do nada, mas se tem outras qual é o big deal??!!
     Chegamos no campsite na hora do almoço e preparamos sanduíches. Achei muito legal que todo mundo ajudou, ninguém ficou mongando, sabe? Todo mundo tem espírito de equipe :) Depois do almoço (no qual começou a rolar uma interação entre as pessoas =D), a gente entrou no ônibus de novo e foi pra o Kata Tjuta, que é um (mais um) amontoado de pedras, que de longe parece o Homer Simpson. Fizemos uma caminhada por ele e foi bem legal :) As pedras são impressionantemente grandes e a guia foi explicando pra gente pra que que serviam as plantas em volta, o que os aborígenes fazem com elas e tudo mais. E eu estava estranhamente - guias turísticos costumam me entediar - interessada no que ela estava falando e a temperatura estava estranhamente razoável. Eu não estava derretendo nem morrendo de sede, como imaginei que estaria.
     A caminhada foi legal e rolou mais interação entre as pessoas (eu não lembro o nome de ninguém, though. Só de uma das escocesas, porque O NOME DELA É FIONA e ela está com um pé quebrado), mas senti falta de ter alguma companhia mais fixa, alguém com quem conversar, ter piadas internas e com quem tirar fotos/pedir para tirar fotos minhas.
     Saindo do Kata Tjuta, a gente foi para o Uluru assistir o pôr do sol. No caminho, vimos dois camelos in the wild e a guia me conquistou com o grito histérico e inesperado de CAMEEEEEL!!!! que ela deu pra avisar a gente. Anyway, o pôr do sol foi meio decepcionante porque não teve muitas cores. O sol não estava se pondo atrás dele, estava se pondo atrás da gente porque teoricamente era pra gente ver o Uluru mudando de cor, mas teria sido muito mais bonito ver a silhueta dele com o céu mudando de cor atrás. E por mais bonito que esteja o que você está vendo, a câmera nunca pega direito. Especialmente a minha. QUERO UMA CÂMERA FODONA QUE CAPTA O QUE EU TO VENDO. Quanto tempo falta pro natal?
     Saindo do Uluru, a gente foi pro campsite preparar a janta: salada, bife, linguiça de camelo e carne da canguru. CAMELO, essa é nova! Tem gosto de linguiça de frango. Tomei banho (e sequei a franja num daqueles secadores de mão) e estou indo dormir com um casal da Eslováquia numa barraca sem luz, com uns beliches simplificados, dentro de um saco de dormir, com a mesma roupa que eu vou usar amanhã (uma segunda pele, uma blusa de manga comprida, uma blusa de lã e um supercasacão de frio) porque com esse frio desgraçado, eu não vou trocar de roupa amanhã de manhã NEMFU.
     É muito legal estar no deserto. Tudo é tão diferente... Não é areia pra todo lado, é aquela grama seca verde amarelada. E o céu daqui é o mais bonito que eu já vi na minha vida! Sem luz, sem poluição e sem nuvens, dá pra ver a via láctea!! *____*
     Bom, vou dormir porque a Shannon acabou de falar “Guys, tomorrow we'll wake up at 5h15? Have breakfast? And leave at 6h15? To watch the sunset at Uluru at 7h30?” QUARTER PAST FIVE? AGAIN??!! Daqui a pouco vai virar hábito acordar a essa hora!
     Beijos de uma menina que vai voltar pro Brasil daqui exatas 2 semanas
     B